Os gargalos na malha rodoviária do Paraná vão além das estradas pedagiadas, alerta Faciap

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As estradas precárias no interior do estado não devem permanecer esquecidas pelos deputados estaduais e governo. E a discussão sobre a malha paranaense precisa ir além do problema do pedágio. É isso o que defende o presidente da Faciap, Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, Guido Bresolin Junior. A expectativa do setor produtivo é que a frente parlamentar criada na Assembleia Legislativa para discutir os contratos de pedágio, e que será lançada no dia 16, não se dedique apenas às concessões. “O Paraná tem mais gargalos de transporte. Há muitos trechos com problemas. É preciso que os poderes tomem consciência disso”, afirma Guido Bresolin Junior.

Para o presidente da Faciap, o Estado precisa fomentar estudos para solucionar problemas existentes nos trechos que não estão sob concessão. “Uma alternativa para os gargalos nas estradas estaduais poderia ser pedagiar esses trechos ou firmar parcerias público-privadas”, diz ele. Os estudos também seriam importantes para avaliar os casos de rodovias que precisam de melhorias, mas onde o pedágio não é viável. “O estado tem que se preocupar com isso e criar fundos de investimentos para que a integração se dê de forma total”.

Segundo o presidente da Faciap, o Governo do Estado precisa abrir para a sociedade a discussão a respeito das possibilidades existentes para resolver os gargalos na malha do Paraná. Só assim será possível aumentar a competitividade do mercado. “O estado do Paraná precisa se superar. E nós temos estrutura para isso”.

Sobre a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) de cassar a liminar que proibia a renovação de convênios e prorrogação de contratos com as concessionárias, o presidente da Faciap acredita que a definição deve intensificar o debate entre a sociedade civil. “A suspensão da liminar é só mais um motivo para a união da sociedade civil organizada, no sentido de acompanhar de perto os contratos de pedágio”, diz ele. “O setor produtivo acredita que a solução para a questão do pedágio está no estudo feito pela Fiep”.

ESTUDO

Um levantamento feito pela Federação Paranaense da Indústria (Fiep), mostrou que os preços do pedágio no Paraná deveriam ser reduzidos pela metade, e a quantidade de obras nas rodovias deveria dobrar. Segundo o estudo, os valores e o volume de obras exigido de concessionárias no Paraná, estão bem abaixo dos parâmetros do mercado.

O estudo comparou os pedágios de primeira geração, feitos no fim da década de 1990, com os de terceira geração, realizados no ano passado pelo governo federal. Considerando os modelos atuais, que estão sendo aplicados em estradas do Mato Grosso e de Minas Gerais, ficou claro que a remuneração das concessionárias paranaenses é bem maior.

Nos outros estados, a tarifa por eixo a cada 100 quilômetros é mais barata, e a quantidade de duplicações a serem realizadas pela concessionária é o dobro da média no Paraná. “Há empresas que estão saindo do Paraná e migrando para outros estados em busca de custos mais baixos”, afirma o presidente da Faciap, Guido Bresolin Junior.